Contos e Lendas
Lenda do Moleiro do Ovil - Baião
Certo dia um moleiro foi nadar para Ovil num lago entre os penedos do lugar do Giraldo. E quando quis sair a água, uma força oculta puxou-o e foi parar a um riquíssimo palácio de uma moura encantada!
Alí esteve dois dias acordado e sem fome, queria ir-se embora, mas não podia.
Lembrou-se então de rezar um padre-nosso ao contrário, fórmula boa para quebrar alguns encantos. E resultou.
Os amigos já andavam à procura dele e contou-lhes o sucedido.
Os amigos revistaram o poço e não encontraram palácio algum chamando-lhe de mentiroso. Foi então que ele lhes disse que iria lá buscar uma prova. E, foi trazendo uma barra de ouro. Logo uma bela rapariga quis casar com ele, mas depois zangou-se dizendo que afinal ele não servia. Ele desafiou-a a ir com ele ao palácio, mas ela teve medo e não aceitou. Por fim casaram, tiveram dois filhos e um deles, chegando a adulto pediu ao pai que lhe comprasse um cavalo para correr mundo em busca de fortuna.
O pai comprou-lhe também dois leões. E ele meteu-se a caminho, chegando a uma terra onde havia uma mata. Nessa mata havia uma serpente com sete cabeças, que comia pessoas. Todos os dias se sacrificava gente daquela terra, até que calhou a vez à filha do Rei. Quando o rapaz ia a passar junto da mata viu uma bela menina a chorar. Não sabia que era a princesa mas ela contou-lhe o que se passava. Ele agarrou nela e foi enfrentar a serpente. Ajudado pelos leões cortou as sete cabeças e as respectivas línguas embrulhando estas num pedaço do vestido da princesa. Depois despediu-se da jovem dizendo que mais tarde dava notícias.
O Rei ficou muito contente e deu uma grande festa dizendo que casaria a Princesa co m o seu salvador. Foi então que um embusteiro encontrou as cabeças e as levou ao Rei.
A princesa dizia que não era ele, mas o rei julgava que ela mentia. O filho do moleiro pegou na sua e foi ao palácio do real. O Rei não o queria receber, mas a Princesa arranjou maneira de mostrar que às cabeças faltavam as línguas que ele ali tinha embrulhadas num bocado do vestido dela. Celebrou-se então o casamento.
O outro irmão, esse ficou junto do pai e ficou assim mais um moleiro do rio Ovil
A Moura da Barroqueira
Vamos voltar a nossa atenção para o lugar da Barroqueira,
na freguesia de Forninhos,
A pouco mais de três léguas da sede do concelho.
Um pastor dali poderá guiar que for até à entrada de uma gruta, disfarçada que está com silvedos e arbustos. Essa entrada contam
as gentes, foi feita pelos Mouros.
Lá dentro há um salão enorme onde desaparecem as ovelhas
que para lá entrem. Come-as uma Moura. Aliás uma lindíssima Moura encantada, pois de cemem cem anos no dia de São Pedro, a Moura sai da gruta e, com muito cuidado para não ser vista,
Empoleira-se nuns penedos a olhar a lua, que estando em quarto crescente, lhe lembra a sua terrae os seus…
No entanto também se diz: que todas as noites a Moura corria currais de ovelhas e comia quantas podia como se estivesse a saciar uma fome de cem pessoas!
Ora, continua a lenda, que é variante da outra, uma noite um pastor farto de tantos prejuízos,
levou o seu rebanho até ao pé da entrada da gruta. A dada altura, a moura saiu e ele apontou-lhe a escopeta que levava, e, sem querer saber da beleza dela, perguntou-lhe:
Que andas aqui a fazer? Ao que ela respondeu-lhe sorrindo: - O que tu sabes…
Zangado , gritou-lhe o pastor:
Pois ou voltas para tua gruta ou vai chumbada!
Cheia de medo a Moura desapareceu num ápice.
Bem, e, acabaram assim as visitas aos redis, e, foi a última vez que ela foi vista na Barroqueira.
Castro Verde – As moscas e a batalha de Ourique
A lenda conta como Nossa Senhora alterou uma antiga disposição da Natureza, ficando assim vingada pela má educação de um vaqueiro. É que antigamente as moscas não incomodavam as vacas, mas as ovelhas. E andando a Senhora pelo Mundo nos seus misteriosos itinerários, perdeu-se em Castro Verde. Porém, passsando por uma manada, viu o vaqueiro a dormir. Não havendo outro que a pudesse ajudar, acordou-o. E pediu-lhe a informação do caminho que deveria tomar. O vaqueiro, zangado, disse não ter vagar para a aturar, que continuasse a andar até um pastor que seria capaz de a informar. E continuou o seu sono. E lá foi Nossa Senhora até ao pastor, cujas ovelhas, incomodadas com as moscas, não paravam no seu esgotante trabalho de as reunir numa sombra. Pastor e cão estavam exaustos. Mesmo assim, o pastor ensinou a Senhora a encontrar o caminho. Acompanhou-a um bocado, embora com a certeza de que no regresso teria o rebanho disperso. Mas tal não aconteceu. As ovelhas estavam à sombra, mansas, aguardando o pastor. Este contou o ocorrido ao vaqueiro. Costumava encontrá-lo a dormir e viu-o numa canseira atrás das vacas. Era o castigo de Nossa Senhora, tornando as vacas nas grandes vítimas das moscas.
Batalha de Ourique
Vamos até à batalha de Ourique, que, conforme a lenda, teve lugar em São Pedro das Cabeças, no concelho de Castro Verde. Foi uma batalha tão importante para a consolidação da independência de Portugal, e no fim dela D. Afonso Henriques, seria aclamado rei pelos seus guerreiros. E não era caso para menos, que o pequeno exército português teve de confrontar-se com as poderosas tropas de cinco reis mouros. E entre estes havia bos soldados, com sobejas provas dadas em combates. A bravura de Afonso Henriques tornara-se contagiante, mas a preocupação causava evidente tensão. Então, na véspera da batalha, estavam todos preparados de um e de outro lado. D. Afonso adormecera na sua tenda, e aqui entra a lenda a contar que em sonho lhe apareceu um velho que sobre ele fez o sinal da cruz, chamando-lhe o escolhido de Deus para ganhar aquela batalha. Naquele momento, acordou e viu diante de si um escudeiro a anunciar-lhe estar ali um velho que queria falar-lhe com urgência. Espantado, o que não tardaria a ser o primeiro rei português perguntou-lhe quem era. Sem lhe responder, o velho disse que ao toque do sino Afonso se retirasse da tenda e entrasse na ermida onde ele vivia há sessenta e seis anos. E desapareceu. Daí a instantes, tocou o sino, e lá foi D. Afonso de espada e escudo. À chegada, como se espreitasse para dentro do Céu, pois viu Cristo rodeado de anjos. E ouviu uma voz que lhe dizia estar-lhe garantida a vitória do dia seguinte, bem como a coroa de Portugal. E a batalha foi renhida, morreu muita gente, mas tudo se cumpriu como Cristo lhe dissera. E assim, Afonso mandou pôr no seu escudo, cinco castelos, cada qual por rei mouro vencido!