Contos e Lendas
Flor da Rosa
Que belo nome o deste topónimo: Flor da Rosa!
É ma pequena e agradável povoação de oleiros que fabricam geralmente peças de utilidade doméstica. A pouca distância desta, situa-se uma das jóias da arquitectura religiosa portuguesa - o Mosteiro da flor da Rosa. Foi fundado pelo pai do Condestável D. Nuno Álvares Pereira. D Álvaro Gonçalves Pereira. Rodrigues Lobo, reconheça-se, assinalou que ele «obras dignas do Céu deixou na terra». De assinalar que que a povoação de Flor da Rosa, freguesia do Concelho do Crato, com o seu mosteiro e igreja, esta consagrada à invocação de Nossa Senhora das Neves, é a mais evocadora das terras que integraram o grão-priorado do Crato.
Sobre a construção da igreja há uma lenda que, não sendo singular a nível nacional, pelo menos tem significado local. Diz esta que certa tarde, deixando os pedreiros as suas ferramentas no local onde se pretendia construir a igreja, elas apareceram exactamente no local onde ela acabou por ser edificada. Também corre na voz popular que é por acção de Nossa Senhora das Neves que não há víboras na freguesia de Flor do Crato. No entanto, nas freguesias vizinhas, as víboras sobram! Mas também se diz lendariamente qua sob a igreja há um poço sem fundo.
Uma cantiga popular guarda esta informação:
Senhora da Flor da Rosa
Olhai o que diz o mundo,
Debaixo da Vossa Santa Casa
Está um poço sem fundo.
E vejamos agora a lenda respeitante ao nome da povoação chamada Flor da rosa. Naturalmente, refere-se a tempos muito antigos, era ainda Flor da Rosa um lugarejo onde vivia um fidalgo cavaleiro de nome muito ilustre e estimado por toda a gente. Um dia o cavaleiro adoeceu, adoeceu mesmo muito gravemente. Os médicos que o atenderam diziam já que pouco tempo teria de vida, apenas alguns dias.
Apiedados do estado em que ele se encontrava, os amigos do cavaleiro visitavam-no frequentemente. Levavam-lhe prendas, acarinhavam-no. Entre estas visitas, como é natural, ia Rosa a noiva do cavaleiro, que lhe levou uma flor. E então aconteceu o surpreendente. Quando se aguardava a morte do cavaleiro, morreu Rosa. E desde esse dia era frequente ver-se o cavaleiro chorar junto àquela que fora o grande amor da sua vida. E assim aconteceu até que ele acabou por morrer de desgosto. Porém, pouco antes de fechar os olhos para sempre, o cavaleiro fez dois pedidos: queria que a flor que Rosa lhe oferecera o acompanhasse à sepultura e o nome de Flor de Rosa fosse dado àquele lugar.