contador de visita

Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

http://joaoalegria.blogs.sapo.pt

<div id="sfc33p9rmnbqy98b4ahfpn4a6hu3sah3hg5"></div> <script type="text/javascript" src="https://counter8.stat.ovh/private/counter.js?c=33p9rmnbqy98b4ahfpn4a6hu3sah3hg5&down=async" async></script>

http://joaoalegria.blogs.sapo.pt

<div id="sfc33p9rmnbqy98b4ahfpn4a6hu3sah3hg5"></div> <script type="text/javascript" src="https://counter8.stat.ovh/private/counter.js?c=33p9rmnbqy98b4ahfpn4a6hu3sah3hg5&down=async" async></script>

Contos e Lendas

27
Nov23

A Fonte das Almas

 

Sobre a Fonte Santa de Alte, a norte de Paderne, concelho de Albufeira, consta que Estácio da Veiga (1836- 1891) põs a lenda em verso:

 

Era de Maio uma tarde

De tais flores perfumada

Que a virgem Mãe do Rosário

De tanto enlevo elevada

 

Junto à margem de um ribeiro

Céu e terra contemplava.

Nas águas que ali correm

Via-se Ela retratada.

 

E dos mirtais e roseirais

Que o ribeiro refrescava

Uma capela tecera

Para a Senhora da Orada.

 

Tecida que era a capela

Logo ali se ausentara,

Levando no seu regaço

O Filhinho de Sua alma.

 

Indo em meio do caminho

Grande calor apertava,

A água o Menino pedia,

Mas sua Mãe não lha dava.

 

Que dentre aquelas estevas

Olho de água não brotava.

Crescia sede, crescia,

E então a Virgem parava.

 

 

 

 

Lança olhos à ventura,

Vê uma rocha escarpada

Onde o sol dava de face

Com tal ardor que crestava!

 

Palavras que a Virgem disse

Logo pelo Céu entraram,

E o rochedo que as ouvira,

Em fonte se transformara.

 

O caso é que em bem pouco

Água tão fresca jorrava,

Que aos pés da Santa corria,

Como quem os pés beijava.

 

Bebendo que era o Menino,

Toda a fonte se cercava

De alecrins e mangeronas

E rosas de toda a casta.

 

Desde então, ficou a fonte

Chamada a fonte fadada,

Dera-lhe a Virgem três chaves,

Uma de ouro e as mais de prata.

 

Uma para ser aberta

Outra para ser fechada

E outra para ali guardar

Almas puras como a água.

 

Das almas que a Santa Virgem

Muitas vezes lá guardava,

Ficou o povo chamando

À fonte – fonte das Almas.