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Contos e Lendas

02
Dez22

Um dos doze de Inglaterra - Penedono

 

Alexandre Herculano o apurou na sua ronda por terras da Beira: o belíssimo Castelo de

Penedono foi morada dos antecessores do Magriço, um dos Doze de Inglaterra,

imortalizado por Camões em “Os Lusíadas”. O seu verdadeiro nome era

Álvaro Gonçalves Coutinho, que alguns autores dão como nascido na Vila de Penedono.

E no poema a lenda é contada por um marinheiro numa das naus do Gama quando seguiam de Melide para a India. Vale a pena  evocar-se esse feito de um notável filho desta vila.

Pois a lenda para que não estiver para ir buscar o seu exemplar do grande poema camoniano

E repassá-la em versos alexandrinos, conta que no reinado de D. João I na corte da nossa recém-aliada Inglaterra nada menos que doze damas foram agravadas por outros tantos cortesãos.

Pois, queixando-se as ditas ao Duque de Lencastre, sogro do monarca português, logo este pensou que seria interessante que as mesmas fossem desagravadas por doze cavaleiros portugueses.

E lembrou-se ele de alguns bem galantes e possantes que conhecera quando por cá andara a

apoiar o futuro genro contra os Castelhanos. E o desafio ficou no ar, tendo o nome dos Doze de Inglaterra sido sorteados pelas damas ofendidas.

Tanto quanto se sabe, cada dama escreveu ao cavaleiro português que lhe coubera por sorteio

Todas ao Rei de Portugal  e o Duque de Lencastre a todos. Assim chegaram as cartas ao nosso

País e, não tardaram a partir do Porto os que viriam a consagrar-se como os Doze de Inglaterra.

Houve, no entanto um que não quis embarcar preferindo a Inglaterra ir por terra. Exactamente

O cavaleiro de Penedono o Magriço. E não é que o Magriço foi o último a chegar ao torneio em Londres mesmo em cima da hora?

E os cavaleiros portugueses venceram os cavaleiros ingleses. Porém é curioso como ao cabo de

tanto protocolo arrolado na lenda esta história não seja descrita por nenhum cronista da época

seja ele português ou inglês!  Por isso se inclinam as gentes a supor tratar-se de uma lenda. E está muito bem que o seja.

Sampaio Bruno, por exemplo, entende que se trata de adaptação de uma justa ao tempo de

Ricardo II realizada em Londres em 1390. Mas Teófilo Braga, Faria e Sousa e Jorge Ferreira de Vasconcelos, entre outros, aceitam o episódio dos Doze de Inglaterra como factos históricos.

Mas a verdade é que o livro “Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda” 1561, deste último é a única obra que a tal se refere anteriormente  ao poema de Camões. Na segunda edição dos Diálogos de Vária História  1599 de Pedro de Mariz, é incluída pela primeira vez em prosa a narrativa do torneio de Londres. No seu estudo sobre a “Relação ou Crónica Breve das Cavalarias dos Doze de Inglaterra”  Magalhães Basto refere que lá não diz que o Magriço chegou em cima da hora do torneio afirmando que o primeiro combate foi com maças de ferro e depois à espada, não pormenorizando se combateram a cavalo ou a pé.

Assim o interessante desta lenda é a romântica façanha portuguesa em que participa destacadamente o Magriço, que, com um bocado de paciência, acabaremos por ver passear entre

as barbacãs do Castelo de Penedono, enquanto lemos em voz alta a sua lendária aventura!