Contos e Lendas
Sátão
O Sino dos Santos idos
Sátão sempre teve muito orgulho no sino da sua igreja, que toca como nenhum outro. Ora isso, se não o sabe toda a gente deste tempo, naqueles velhos tempos até os Mouros, que ocupavam a maior parte da Península o sabiam. Por isso foram a Sátão, agarraram nele e levaram-no lá para o Castelo de Alá, que nem era muito distante da vila. Só que o sino deixou de tocar. E os Mouros arrumaram-no e pronto.
Os de Sátão também não o substituíram com a saudade daquele trabalhar tão ao gosto de todos! E três ou quatro gerações passaram até que os Mouros foram corridos das bandas de Viseu, Sátão incluído. Porém, a memória era tão viva que os de Sátão se puseram a caminho, entraram no castelo, localizaram o sino e de volta para a terra colocaram-no na torre e o sino tocou. Tocou tão bem que o prelado da diocese, aconselhado pelos seus cónegos, ordenou que o sino passasse para a sé de Viseu.
Contrafeitos os de Sátão lá ficaram outra vez sem o sino. E no adro da catedral visiense havia uma grande multidão à espera do sino. Ele apareceu. Ergueram-no, instalaram-no e quando o sineiro começou a accionar os mecanismos para que ele tocasse, quando o badalo dava no sino não havia som coisa nenhuma! Furiosos os de Viseu mandaram apear o sino e, de mofa chamaram os de Sátão para que levassem o sino para a terra deles. Foi o que os de Sátão quiseram ouvir. Armaram cortejo e lá foram com o sino. Passaram por Mundão e por Cavernães e o sino sem dar nada de si, mas quando as alturas de Barraca, foi o próprio sino que bimbalhou sem que ninguém fizesse nada! E houve música espontânea até que o instalaram no seu lugar de origem na igreja. Então é que ele tocou. Tocou – e que bem!
Ah! Mas o que não devem saber é a lenda de Nosso Senhor da Agonia de Avelal. Pois nem é grade. Certo dia, um cavaleiro, a fugir de um bando de ladrões, caiu com a sua montada, por umas penedias. Quando ia no ar exclamou:
- Valha-me o Senhor da Agonia!
E não houve agonia nenhuma porque o cavalo estacou na sua marcha perdida e as marcas das ferraduras ainda hoje se vêm marcadas numa pedra. E o Senhor da Agonia aparecem em imagem debaixo de um penedo. Sabendo disto o bispo de Viseu, mandou buscar o Senhor da Agonia para a Sé de Viseu. Porém, na manhã do dia seguinte a imagem apareceu na gruta no Avelal. Várias vezes assim aconteceu. Por isso, o bispado organizar uma procissão para transferir o Senhor da Agonia, mas deixou outra imagem do Senhor Crucificado. Também era de bo toque o sino de São Miguel de Nossa Senhora da Esperança. Diz a lenda a beleza da sua sonoridade se devia ao cónego luís Galvão ir lançando dobrões de ouro para o cobre em fundição no adro da igreja.