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Contos e Lendas

29
Ago21

Lenda da Velha Porcalhota – Amadora

 

Ora então como é que a Porcalhota se tornou Amadora, sobretudo como é que apareceu aquele topónimo tão bizarro? E, depois, como é que os coelhos surgem nesta lenda?

Se formos a Pinho Leal, ficamos a saber que Porcalhota, é diminutivo de Porcalha, significando leitoa.

Em meados do século XIX,  esta terra pertencia a Benfica. Não eram mais que 359 casas e uma Ermida a Nossa Senhora da Conceição da Lapa. E havia Porcalhota de Cima e Porcalhota de Baixo, separadas por uma calçada. Pois a origem lendária da Amadora remonta ao século XIV, à Porcalhota que é o núcleo populacional mais antigo do espaço da actual Amadora.

Esse topónimo procedia do dono destas terras Vasco Porcalho, que também era alcaide de Vila Viçosa.

Na crise de 1383 – 1385, este fidalgo, como muitos outros da velha nobreza portuguesa, apoiou D. João de Castela como rei legítimo, o que mais tarde o obrigou a fugir do reino. Herdou-lhe as propriedades a filha, fidalga, a quem as gentes chamavam Porcalhota! Ficou assim a zona a chamar-se Terras da Porcalhota. Convenhamos, com Delfim Guimarães, que se tratava de um nome malsonante e arreliador! Mas, atenção tudo o que aqui se conta é do foro da lenda…

O século XVIII fez da Porcalhota uma zona de lazer da aristocracia sediada em Lisboa. Aqui se multiplicaram pequenos palácios em quintas de recreio. Nas, de repente, surge a verdadeira lenda desta povoação, que se ia compondo como um “puzzle” – chamada Pedro dos Coelhos. E para a escrever nada melhor que Júlio César Machado, que a divulgou no Diário de Noticias:

«Há tanto tempo já que aquela casa amanha os coelhos com proveito e glória que, em o dono da locanda indo chamá-los ao pátio, já eles vão por si mesmos em linha e oferecer as orelhas para levar o piparote e morrer.

Lê-se na parede “Antiga casa do belo petisco do coelho”: o trem para em frente, à sua porta vêem-se sempre mendigos. De um lado, tenda e balcão, do outro, uma nesga de caminho para a cozinha; ao fundo, uma porta para o quintal e outra para a casa onde se come. Na cozinha, uma velha, uma corcundinha e um rapagão esbelto e ágil» Júlio César Machado era um gastrónomo, e quando pincelava prosas assim, não se lhe podia ir à mão porque decerto acabara e comer uma refeição de lenda!

O Pedro dos Coelhos é a mais lendária figura da Amadora e o seu prestígio pede meças aos grandes cozinheiros da não menos grande Lisboa! Bastará chamarmos a testemunhar Mendonça e Costa, que em 1887, nas páginas da revista Ocidente, narrava que determinado indivíduo das bandas de Sete Rios comia em casa coelho em todas as refeições por imposição da mulher. Ora, farto daquilo, mudou-se para a Porcalhota e calhou-lhe sentar-se  à mesa do Pedro dos Coelhos. Diz o cronista, que o conheceu, que nesse dia o coelho soube-lhe a pouco!

Pedro Franco, se chamava o Pedro dos Coelhos, e terá nascido nos primeiros anos do reinado de D. Maria II, falecendo com sessenta e tal anos em 1906 ou 1907. Mas desde que enviuvou não foi mais o mesmo. Mas se morreu o homem ficou a sólida lenda!